Conforme explicou o coordenador da Sudema, em Campina Grande, Roberto Almeida, em toda a Paraíba existem apenas três aterros sanitários, localizados em Puxinanã, João Pessoa e Sousa. “A integração entre municípios poderia tornar o processo muito mais fácil, principalmente para os menores, que com certeza não terão recursos financeiros para investir em um aterro sanitário, que é muito caro. Se a Região Metropolitana de Campina Grande realmente fosse iniciada, existiria a possibilidade de consórcio entre as cidades para a destinação adequada do lixo”, explicou.
O coordenador acredita que será muito difícil cumprir todas as determinações da Lei Federal 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sob pena dos municípios ficarem de fora dos investimentos realizados pelo Governo Federal. “Os municípios terão que 'correr' atrás do tempo perdido e pensar em uma providência, senão terão verbas federais cortadas”, frisou.
Na região de Campina Grande, apenas o município de Puxinanã dispõe de um aterro privado, que recebe cerca de 400 toneladas de lixo diárias dos municípios de Campina Grande, Puxinanã e Montadas, além de mais 10 empresas da região, segundo informações da Assessoria de Comunicação da empresa proprietária, Construtora Planície.
Para o promotor do Meio Ambiente da região de Campina Grande, Eulâmpio Duarte, a questão dos resíduos sólidos deve ser tratada desde a construção de aterros sanitários até a realização de campanhas de educação ambiental. “Não adianta construir o aterro, sem que as pessoas não comecem a realizar o processo seletivo do lixo. Para o aterro só deverá ir o que não puder ser mais reaproveitado. Os municípios vinculados têm que estar unidos na realização dessas ações, que inclusive terão repercussão econômica, gerando empregos para a categoria de catadores”, explicou.
O promotor informou que o Ministério Público Estadual já realizou reuniões com os municípios da região na busca de solução para os resíduos sólidos. “O resíduo não é lixo e pode ser transformado em renda, em dinheiro”, finalizou. De acordo com ele, 45% do que é encontrado no lixo, pode ser reaproveitado.
POPULAÇÃO JOGA LIXO A CÉU ABERTO
Dos municípios que fazem parte da Região Metropolitana de Campina Grande (RMCG), 20 ainda despejam o lixo a “céu aberto”. Mas a preocupação de alguns moradores dessas cidades vai além de um local para receber os resíduos, começando pela falta de conscientização de boa parte da população, que acaba jogando o lixo em locais inapropriados e completamente misturado, dificultando a reciclagem.
Gleice Brandão, 32 anos, moradora do município de Lagoa Seca, contou que muitos moradores ainda não estão preocupados com o correto armazenamento do lixo. “A coleta é feita três vezes por semana, em dias alternados, mas muitas pessoas insistem em jogar o lixo em qualquer lugar e a qualquer hora. Está certo que o lixo daqui ainda é jogado a céu aberto, mas existem pessoas que catam no local para sobreviver e o lixo está todo misturado”, disse.
De acordo com o prefeito de Lagoa Seca, José Tadeu, a cidade precisa de incentivos dos governos estadual e federal para montar um projeto de criação do aterro. “Apenas para fazer um projeto a prefeitura gasta de R$ 200 mil a R$ 300 mil, e sem os incentivos a prefeitura fica de mãos atadas por não ter subsídios técnicos e financeiros para a criação do projeto e consequentemente a execução do mesmo”, revelou.
Para a catadora e membro da Cooperativa de Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cotramare) de Campina Grande Lucicleide Nascimento, o projeto-piloto iniciado em nove pontos da cidade está recebendo a colaboração dos moradores.
“É um trabalho de conscientização difícil. Não se trata apenas da preservação do meio ambiente, mas também mexe com a renda de muitas famílias”, contou.
Jornal da Paraíba
Foto: Leonardo Silva
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